terça-feira, 20 de setembro de 2011

Educação sempre


Ele estava desrespeitando o limite de velocidade. Dirigia-se para uma reunião de negócios e não tinha tempo a perder.
Seus olhos se moviam com agilidade enquanto ele observava os outros carros e procurava abrir caminho rapidamente em meio ao trânsito.
No momento em que estava alcançando a rodovia expressa, ele foi fechado por um veículo que vinha saindo de uma via lateral.
Henry abriu a janela do carro e berrou com o dono daquele carro. Não satisfeito, ainda lhe dirigiu alguns palavrões.
Sam, o motorista do outro veículo, não aceitou aquilo sem reação. Afinal, ele também estava muito apressado. Tomou toda a sua raiva e com uma manobra rápida, na curva seguinte, fechou o carro de Henry
A tensão estava agora cada vez maior. Henry não cabia em si de raiva. Aquele motorista atrevido o provocou por duas vezes.
Também manobrou com habilidade e, em questão de segundos, era ele que conseguia dar uma fechada no outro veículo, deixando apenas alguns centímetros entre os dois carros.
O ódio foi aumentando. Parecia uma guerra para se decidir quem aguentaria mais a tensão ou quem venceria a batalha, colocando, quem sabe, para fora da estrada, o outro.
Os dois dirigiam como loucos ao volante. Exatamente quando Henry pensou que tinha deixado o outro veículo para trás, olhou pelo espelho retrovisor e lá estava ele de novo.
Sam pisou no acelerador, abriu a janela e retribuiu os xingamentos de Henry, lembrando-se de acrescentar mais alguns.
Foi como jogar lenha na fogueira. A perseguição passou a ter um lado ainda mais perigoso e ousado. No entanto, da mesma forma repentina com que começou, tudo terminou com uma freada barulhenta e repentina.
Henry parou e desceu do carro. Sam estacionou o seu carro ao lado.
Os dois entraram no mesmo prédio. Depois, no mesmo elevador. Surpresos, olhavam uma para o outro, soltando chispas de ódio.
Estavam totalmente desnorteados quando saíram do elevador e se dirigiram para a mesma porta.
A verdade se tornou patente quando começaram a falar, com gentileza e educação, um para com o outro: Henry, o fornecedor, e Sam, o cliente, estavam correndo, atrasados, para a reunião que tinham um com o outro.
*   *   *
Ser educado com todas as pessoas nos evita aborrecimento e vergonha.
Em qualquer trilha da nossa vida podemos reencontrar pessoas que, num momento de insanidade, desrespeitamos.
Porque os caminhos se cruzam, as faixas se unem e nunca se sabe onde, quando e em que circunstâncias tornaremos a nos encontrar com aquelas mesmas pessoas.

Redação do Momento Espírita com base no livro Pequenos milagres, v. 1, de Yitta Halberstam e Judith Leventhal, ed. Sextante.
Em 14.03.2011.

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